O FUNDAMENTO PROFUNDO DA TROCA – OU A PERMUTA CONSTANTE DA VIDA

Nenhum ser humano é auto-suficiente. Somos seres gregários. Isso significa que precisamos uns dos outros para existir. Precisamos do outro a nível emocional, intelectual e material. A nível existencial. Os produtos que usamos, as ideias que temos, os sentimentos que nos tocam e a própria percepção do “eu” está intrinsecamente relacionada com o nosso próximo. Daí vem o fato estarmos sempre trocando produtos, conhecimentos, afetos, ofensas, sonhos, olhares, lugares e serviços uns com os outros.

Essa troca se dá em dois níveis. Interior e exterior. Já reparou como tudo é uma dualidade para nós? O sim e não, bom e mau, belo e feio, grande e pequeno, rico e pobre, certo e errado, direita e esquerda, noite e dia… tudo tem dois lados. Mas vamos falar do “dentro e fora”. Nós estamos muito acostumados à vida que acontece fora de nós e esquecemos de dar atenção a uma vida que vive dentro. Essa vida também não é auto-suficiente. A vida de fora é a que está atrelada ao mundo material e tangível. É o fazer coisas, trabalhar, ganhar dinheiro, falar, exercitar, comprar, vender, tocar, olhar. Mas e a vida dentro? Naturalmente está nas coisas intangíveis e imateriais como sentir, aprender, pensar, desejar, contemplar, amar. Estamos sempre trocando. Dentro e fora. De dentro pra fora e de fora pra dentro.

Pense no seu dia de hoje. Quantas trocas você já fez? Trocar o mal hálito matinal que se esvai na pia por um frescor saudável na boca; trocar o lixo; trocar “bom dias” com o vizinho ou com o porteiro; trocar dinheiro por contas pagas; trocar informações no trabalho; trocar trabalho por dinheiro; trocar dinheiro por comida; trocar experiências na rede social; trocar fluidos com o cônjuge…A vida é um troca-troca danado.

Mas qual será o significado disso tudo? Porque estamos sempre trocando tudo o tempo todo? Existe algo que não se pode trocar? Ora, somos uma espécie capaz de trocar até mesmo uma vida por outra.

Trocar tem sempre dois lados. O que vem e o que vai. Para receber o que vem é preciso abrir mão de alguma coisa que se tem. É preciso deixar ir.  Algo se perde e algo se ganha. O que não serve mais, deixamos, abrindo espaço para o que pode vir. A natureza funciona assim: nada se perde, tudo se troca. Se você cava um buraco na areia da praia, perto do mar, aquele buraco logo se enche de água. Tudo está sempre mudando de lugar, se movendo. Uma coisa se move e dá lugar a outra e assim sucessivamente em cadeia, em corrente. Cada espaço do universo é ocupado, daí o fato de tudo estar conectado.

Trocar é transformar. É aderir ao fluxo da vida que segue em transformação constante. Algo nasce, cresce, transforma-se, multiplica e morre. E até mesmo a morte é uma transformação. Uma vívida e misteriosa troca.

A economia que vivemos hoje é baseada no dinheiro, na moeda. Uma economia monetária que está perdendo o sentido, pois é falsa. É uma economia que não economiza nada. Os recursos naturais, a verdadeira riqueza do planeta, são exauridos sem escrúpulos. Os sinais estão por toda parte. O dinheiro foi criado para ser somente um instrumento, uma ferramenta, um meio. E a riqueza, a matéria prima de toda troca, está nos recursos. Em outras palavras, no que o dinheiro compra. Se o dinheiro não compra nada, se ele só compra mais dinheiro, multiplica mais dinheiro, surge a entropia. Trocar dinheiro por dinheiro é entropia. Afinal, que sentido faz trocar uma ferramenta por outra? Para que serve ter uma coleção de 300 martelos diferentes, quando se precisa só de um? O dinheiro foi feito para servir. Não para ser o chefe.

É preciso agora desamarrar essa entropia para que o fluxo de trocas possa circular mais facilmente entre os seres do planeta, favorecendo o fluxo da vida. O planeta está em ponto de abundância. Já existem recursos e tecnologia suficiente para que todos vivam com dignidade. Seguindo o despertar da consciência que vem se anunciando, o planeta vai necessitar reformular e ressignificar essa parte da vida. A Permuto se trata disso. Voltemos às trocas, às permutas! É um retroceder para avançar. O que virá daí, o novo desenho que co-criaremos é ainda misterioso. Mas é certo que essa nova forma e esse novo mundo já começou. É hora de trocar!


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